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Prêmio Jabuti 2026: semifinalistas, votação popular até sexta e a cerimônia de 27 de outubro

Prêmio Jabuti 2026: semifinalistas, votação popular até sexta e a cerimônia de 27 de outubro
· 7 min de leitura

De 4.675 obras e projetos inscritos, saíram dez semifinalistas em cada uma das 23 categorias. Esse foi o resultado anunciado em 29 de setembro pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) para a 68ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do país. A lista traz romancistas consagrados, uma poeta de longa trajetória, um psicanalista falecido em 2021 e uma novidade pensada para o público que descobre livros em vídeos e redes sociais. Para quem gosta de ler, é também um guia de leitura pronto para as próximas semanas.

O que aconteceu

A CBL divulgou os semifinalistas da edição de 2026, organizados em quatro eixos: Literatura, com dez categorias, Não Ficção, com seis, Produção Editorial, com quatro, e Inovação, com três. Segundo a organização, 4.675 obras e projetos foram inscritos. O cronograma segue em três etapas: os finalistas serão anunciados em 14 de outubro, e os vencedores, conhecidos na cerimônia de 27 de outubro, na Sala São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube. A cerimônia é para convidados.

Cada vencedor de categoria recebe a estatueta e R$ 5 mil. O Livro do Ano leva R$ 70 mil e a oportunidade de participar de uma feira internacional, à escolha entre Londres, Bolonha, Frankfurt e Guadalajara, com as despesas custeadas pela organização.

Entre os semifinalistas de Romance Literário aparecem Itamar Vieira Junior, com “Coração sem Medo”, Milton Hatoum, com “Dança de Enganos”, Marilene Felinto, com “Corsária”, Aline Bei, com “Uma Delicada Coleção de Ausências”, Eliana Alves Cruz, com “Meridiana”, e Cristovão Tezza, com “Visita ao Pai”. Em Poesia, a lista inclui Adélia Prado, com “O Jardim das Oliveiras”, ao lado de Adriana Lisboa, Mar Becker, Nina Rizzi e Edimilson de Almeida Pereira. Contardo Calligaris (1948-2021) aparece em duas categorias: Crônica, com “Aproveitar a Vida e Suas Dores”, e Saúde e Bem-estar, com “Coisa de Menino?”, escrito com Maria Homem. Na categoria de Biografia e Reportagem, está “Trincheira Tropical”, de Ruy Castro.

Por que aconteceu

O Jabuti é organizado pela CBL desde 1959 e cumpre um papel conhecido no mercado editorial: dar visibilidade a livros que, sem um selo de reconhecimento, tenderiam a se perder entre milhares de lançamentos por ano. A seleção passa por etapas. Uma curadoria define os semifinalistas a partir das inscrições, jurados avaliam os dez nomes de cada categoria e, em geral, o Livro do Ano é escolhido entre as obras premiadas.

A edição de 2026 traz duas mudanças relevantes. A primeira é a criação da categoria “Incentivo à Leitura – Cultura Digital”, no eixo Inovação, que reconhece criadores de conteúdo em plataformas digitais que promovem livros e estimulam a leitura. Segundo o curador do prêmio, Hubert Alquéres, a categoria reconhece uma transformação importante na relação entre livros e leitores. A leitura natural, que é nossa e não da organização, é que recomendações em vídeos e perfis passaram a pesar na descoberta de novas leituras. A segunda é que as obras das categorias Escritor Estreante de Poesia e Escritor Estreante de Romance passam a concorrer também ao Livro do Ano, algo que antes não ocorria.

O que isso significa

A nova categoria é o ponto que mais diz sobre o momento do mercado. Ela reconhece, dentro de um prêmio nascido em 1959, que parte da conversa sobre livros acontece fora das páginas de jornais e das livrarias. É também a única categoria com participação do público: a votação popular entre os dez semifinalistas está aberta até 9 de outubro, às 12h, e os cinco finalistas serão conhecidos em 14 de outubro.

A abertura do Livro do Ano aos estreantes de Poesia e de Romance tem efeito simbólico e prático. Simbólico, porque sinaliza que um primeiro livro pode disputar o título máximo ao lado de autores consagrados. Prático, porque amplia o conjunto de obras que concorrem à premiação mais valiosa, tanto em dinheiro quanto em projeção internacional.

Há ainda uma leitura sobre diversidade de temas. A mesma lista reúne ficção contemporânea, poesia, crônica, psicanálise e reportagem histórica. Um dos livros semifinalistas, “Trincheira Tropical”, de Ruy Castro, trata, segundo a editora, do Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, capital federal durante a Segunda Guerra Mundial, e narra a rotina de racionamento, blecautes e abrigos antiaéreos, além de espiões, refugiados, diplomatas e artistas que passaram pela cidade. É um tema que interessa de modo especial ao leitor carioca, porque trata da história de lugares que ele frequenta.

Os quatro eixos também mostram a abrangência do prêmio. Literatura reúne a ficção e a poesia; Não Ficção cobre áreas como biografia, reportagem, ciências humanas e saúde; Produção Editorial reconhece o trabalho de quem faz o livro como objeto, como projeto gráfico e ilustração; e Inovação olha para formatos e práticas novas de leitura. Um leitor pouco habituado a prêmios literários pode se surpreender: o Jabuti não é só de romances, e boa parte das categorias premia livros que muita gente nunca associou a prêmios.

Vale uma observação de método: ser semifinalista não é o mesmo que ser finalista, e um prêmio literário é uma opinião de um grupo de jurados, não uma medida objetiva de qualidade. A lista é um ponto de partida para escolher o que ler, e não um ranking definitivo.

Como afeta você

Se você lê com frequência, a lista de semifinalistas funciona como uma curadoria gratuita. Em vez de começar do zero, é possível escolher uma categoria que combine com seu gosto, ficção, poesia, crônica, ensaio ou história, e ler um ou dois títulos antes de os finalistas saírem, em 14 de outubro. Se o tempo for curto, vale esperar a lista de finalistas, que reduzirá cada categoria a cinco nomes.

Se você acompanha criadores de conteúdo sobre livros, pode participar da votação da categoria Cultura Digital até sexta-feira, 9 de outubro, ao meio-dia, pelos canais oficiais do prêmio. É uma forma de ajudar a definir quem será finalista. A lista completa das 23 categorias está disponível nos canais oficiais do prêmio.

Para quem está pensando em presentes, a lista também ajuda: livros semifinalistas de prêmios reconhecidos são uma escolha segura para dar a quem gosta de ler, e as obras que chegarem à final costumam ganhar destaque nas livrarias e bibliotecas.

Para quem acompanha o mercado editorial, o prêmio é também um termômetro. Os livros que chegam à fase final costumam receber mais atenção da imprensa e dos clubes de leitura, e a transmissão da cerimônia pelo YouTube em 27 de outubro permite que qualquer pessoa veja os vencedores ao vivo, sem precisar estar na Sala São Paulo.

O que observar daqui para frente

O primeiro marco é 9 de outubro, quando se encerra a votação popular da categoria de Cultura Digital. O segundo é 14 de outubro, quando saem os finalistas das 23 categorias e os cinco nomes dessa nova categoria. O terceiro é 27 de outubro, a cerimônia na Sala São Paulo, quando serão conhecidos os vencedores e, entre eles, o Livro do Ano.

Vale acompanhar três pontos. Primeiro, como a nova categoria será recebida pelo mercado, já que ela amplia o conceito de quem promove leitura, ao incluir pessoas que não são escritores nem editores. Segundo, se algum estreante de Poesia ou de Romance chegará à disputa final do Livro do Ano, estreando a nova regra. Terceiro, como cada região do país aparece na lista de finalistas: veículos regionais, como o Jornal do Comércio, de Porto Alegre, já destacaram os três semifinalistas gaúchos, e é de esperar que o mesmo ocorra em outros estados.

Fontes

Câmara Brasileira do Livro (CBL), comunicado de divulgação dos semifinalistas da 68ª edição do Prêmio Jabuti (29/09/2026), conforme reproduzido por Acessa.com, iMirante e Jornal do Comércio (30/09/2026); O Hoje (30/09/2026), lista de semifinalistas por categoria; Companhia das Letras, sinopse de “Trincheira Tropical”.

Marcelo J. Sousa
Escrito por Marcelo J. Sousa

Analista, entusiasta de tecnologia e finanças, criador do Blend do Dia. Autor de Logos: Código Sombra.

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