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Cultura

“Carnaval Como Método”: MAM Rio Mostra o Processo Criativo dos Desfiles em Exposição Gratuita

“Carnaval Como Método”: MAM Rio Mostra o Processo Criativo dos Desfiles em Exposição Gratuita
· 7 min de leitura

Quem vê um desfile de escola de samba costuma enxergar o resultado: carros alegóricos, fantasias, cores, uma narrativa que atravessa a avenida em pouco mais de uma hora. O que pouca gente vê é o processo, que começa meses antes, em desenhos, maquetes, ateliês e decisões coletivas. É esse caminho, e não só o produto final, que a exposição “Carnaval como método” coloca nas paredes e no chão do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), no Aterro do Flamengo. Aberta desde 19 de setembro, a mostra reúne obras novas de seis carnavalescos, trabalhos de três nomes históricos do desfile carioca e pinturas de artistas ligados ao samba. A seguir, o que a exposição apresenta, as informações práticas e os cuidados para organizar a visita.

O que aconteceu

O MAM Rio inaugurou “Carnaval como método” em 19 de setembro de 2026, com curadoria de Raquel Barreto, Pablo Lafuente e Phelipe Rezende. Segundo o Rota Cult, a mostra ocupa o Salão Monumental e o mezanino do museu e trata o Carnaval como uma prática artística coletiva, perguntando em que um artista visual de desfile, que trabalha para um público enorme, se diferencia de um artista de galeria.

A exposição reúne obras inéditas encomendadas a seis carnavalescos em atividade. André Rodrigues, com Juliana Joannou, apresenta quatro fantasias inicialmente brancas, que os visitantes ajudam a transformar, mostrando as etapas da criação de uma fantasia. Annik Salmon assina uma obra de grande escala sobre a presença das mulheres no Carnaval, que o público pode ver do mezanino e, segundo o Rota Cult, também pode entrar. Antônio Gonzaga mostra uma escultura que combina motivos afro-brasileiros e a arquitetura do museu. Gabriel Haddad e Leonardo Bora criaram quatro obras, entre elas “Devir-Devorar”, uma onça alada de isopor decorada com desenhos de Rosa Magalhães, e “Orbis”, que recria a escada do museu em fibra de vidro cristal, em referência à pesquisa de cor de Maria Augusta Rodrigues, segundo o Carnavalesco. Thayssa Menezes presta homenagem a mestres e mestras do Carnaval, entre eles Cartola.

O núcleo histórico traz o desfile da Beija-Flor de Nilópolis de 1989, de Joãosinho Trinta, com desenhos de Cláudio Urbano e fotografias inéditas de Valtemir Valle, esboços de cinco desfiles de Rosa Magalhães, do acervo da rede de bibliotecas da Uerj, e uma instalação de Maria Augusta Rodrigues, feita em torno de uma mesa circular com desenhos e fantasias. Para fechar o percurso, o mezanino exibe pinturas de artistas ligados ao samba, como Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento.

Por que aconteceu

A proposta da curadoria, segundo o Rota Cult e o Brasil em Folhas, é reconhecer os carnavalescos como artistas visuais e discutir como o trabalho deles entra, ou não, nas instituições de arte. A escolha do espaço é parte do argumento: os curadores apresentaram a escala vertical do Salão Monumental e sua estrutura de concreto aos artistas como pontos de partida para criar.

Há também uma questão de memória. Boa parte do que se faz para um desfile, como desenhos, esboços e fantasias, nem sempre é guardado ou exposto. A presença de materiais de acervos como o da Uerj e de fotografias inéditas mostra que esse material existe e pode ser estudado. Essa é uma leitura do contexto, e não uma declaração do museu.

O que isso significa

O primeiro ponto é a mudança de olhar. Ao tratar o Carnaval como método, a exposição desloca a pergunta de “o que é bonito” para “como isso é feito e por quem”. O público passa a ver a sequência de decisões que antecede cada fantasia, e a obra de André Rodrigues, que convida os visitantes a participar da transformação das peças, mostra isso de forma concreta.

O segundo ponto é o diálogo entre gerações. A mostra põe lado a lado carnavalescos em atividade e referências históricas como Rosa Magalhães, Joãosinho Trinta e Maria Augusta Rodrigues, e as obras novas conversam com esses nomes: a onça de isopor de “Devir-Devorar” homenageia Rosa, e “Orbis” faz referência a Maria Augusta. Para quem acompanha o desfile só pela televisão, é uma forma de entender de onde vêm algumas escolhas visuais.

O terceiro ponto é o que a exposição não é: não é um desfile em miniatura nem uma vitrine de fantasias. É uma mostra de arte com obras feitas para o espaço do museu, e isso vale a pena ter em mente antes de ir.

Como afeta você

Se você pretende visitar, vale conferir os detalhes práticos. Segundo o site do MAM Rio, o museu abre de quarta a sábado, das 10h às 18h, e aos domingos das 11h às 18h, com o último acesso às 17h30. Nos domingos, o período das 10h às 11h é reservado a pessoas com deficiência intelectual, autismo ou hipersensibilidade sensorial. A página do museu informa que a entrada é gratuita, informação que a Agenda do Poder, em 10 de outubro, também traz. Como a entrada pode ser retirada online ou na bilheteria, vale conferir no site do museu se há alguma regra para o dia da visita. O endereço é Avenida Infante Dom Henrique, 85, no Parque do Flamengo, e o museu não abre às segundas e terças.

Um cuidado importante é a data final. Rota Cult, Carnavalesco e o portal Aqui Acola indicam que a mostra fica em cartaz até fevereiro de 2027, e o Rota Cult cita 21 de fevereiro. Já duas agendas, a do ArtRio e a Agenda do Poder, informam 29 de novembro. Como as fontes divergem, o mais seguro é confirmar a data no site do museu antes de deixar a visita para o fim do período.

Para aproveitar o passeio, reserve tempo suficiente para o Salão Monumental e para o mezanino, e considere o tipo de obra: várias peças são interativas ou grandes o bastante para serem percorridas. Quem quiser combinar a visita com outras exposições gratuitas na cidade pode olhar a lista da Agenda do Poder: “Nome próprio”, de Agrade Camíz, na galeria A Gentil Carioca, no Centro, até 31 de outubro, e “Desenredo”, de Ana Calzavara, no Leblon, até 20 de novembro, ambas com entrada gratuita. A própria agenda avisa que cancelamentos e remarcações podem ocorrer, então confirme antes de sair de casa.

Para quem visita com crianças, a exposição tem peças que convidam à participação, mas o museu não informa uma programação infantil específica para a mostra. Vale ver no site do MAM se há atividades programadas para o dia escolhido.

O que observar daqui para frente

O primeiro ponto é a programação paralela. O site do MAM não lista atividades de outubro para essa exposição, mas o museu costuma anunciar oficinas e visitas no próprio calendário, e na abertura houve um Super Sábado com oficina de mestre-sala e porta-bandeira, conduzida por André Rodrigues.

O segundo é a data de encerramento, que deve ser confirmada, como explicado acima. Se a data de fevereiro de 2027 estiver correta, a mostra continuará em cartaz durante o Carnaval de 2027, quando o tema ganha ainda mais visibilidade na cidade.

O terceiro é o efeito da exposição sobre o debate: a pergunta que ela faz, sobre o lugar dos carnavalescos entre os artistas visuais, deve render discussão nos próximos meses, em críticas, palestras e no próprio ambiente dos desfiles.

Fontes

Rota Cult, “Carnaval como método: seis carnavalescos apresentam obras inéditas no MAM Rio” (14/09/2026); Carnavalesco, “Carnaval Como Método: exposição leva ao MAM obras inéditas de seis carnavalescos” (29/09/2026); Brasil em Folhas, “MAM Rio inaugura exposição sobre criação do Carnaval” (02/09/2026); MAM Rio, página de programação (horários, gratuidade e Super Sábado de 19/09); Agenda do Poder, “O que fazer no Rio” (10/10/2026); ArtRio, agenda cultural; Aqui Acola, “Exposições em destaque”. As fontes divergem quanto à data de encerramento; confirme no site do museu.

Marcelo J. Sousa
Escrito por Marcelo J. Sousa

Analista, entusiasta de tecnologia e finanças, criador do Blend do Dia. Autor de Logos: Código Sombra.

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