Poucos livros têm um nome tão conhecido e tão mal conhecido quanto “Frankenstein”. Na imaginação popular, o nome é o do monstro de cabeça quadrada e parafusos no pescoço. No romance de Mary Shelley, é o sobrenome do cientista que o criou. Às vésperas do Halloween, o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro transforma essa confusão em programação: a “Ocupação Frankenstein para Todas as Idades”, do Coletivo Gompa, que reúne uma peça de 50 minutos e uma série de oficinas gratuitas até 15 de novembro. Este texto explica o que está em cartaz, quanto custa e quais oficinas ainda dá tempo de fazer. O Blend do Dia não assistiu à peça, e as descrições vêm da imprensa.
O que aconteceu
Segundo o Correio da Manhã, o CCBB Rio, no Centro, recebe desde 12 de outubro a ocupação do Coletivo Gompa, grupo de Porto Alegre fundado em 2014, com doze espetáculos premiados no currículo. O centro cultural fica na Rua Primeiro de Março, 66. A ocupação tem uma peça, “Frankenstein”, e oficinas de teatro, dança, dramaturgia, artes visuais e escrita inspiradas no romance de Mary Shelley.
A peça é dirigida por Camila Bauer, que também ensina dramaturgia na UFRGS e ganhou o Prêmio Shell de melhor direção por “Instinto”, de acordo com o jornal. Os intérpretes são Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti, ambos bailarinos. O espetáculo mistura teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original, dura 50 minutos e tem classificação indicativa de 14 anos.
A temporada, no Teatro I, vai de 14 de outubro a 15 de novembro, de quarta a segunda-feira, às 19h, e aos domingos, às 18h. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada), segundo o Correio da Manhã, e são obtidos no site do CCBB. As oficinas acontecem no Teatro II, são gratuitas e pedem inscrição, também pelo site.
Por que aconteceu
A reportagem descreve uma proposta específica: a criatura é uma mulher que se recusa a se submeter ao criador, Victor Frankenstein, e o corpo montado de muitos corpos funciona como metáfora da diversidade brasileira, marcada por colonização, apagamentos e disputas de identidade, o que abre um debate decolonial. Essa é a leitura do grupo, e não um dado sobre o livro. Para avaliar se ela funciona em cena, é preciso ver a peça.
O clássico volta agora também por uma possível razão de calendário. O romance nasceu de um desafio de verão, e o Halloween é um momento em que histórias de terror ganham espaço. A programação do CCBB, que cruza uma peça adulta com oficinas para crianças e adolescentes, aproveita essa janela. Essa associação é do Blend do Dia, e não declarada pelas fontes.
O que isso significa
O contexto do livro ajuda a entender por que ele continua rendendo releituras. Segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, Mary Godwin, que depois seria Mary Shelley, passou o verão de 1816 perto do Lago Léman, na Suíça, com Percy Bysshe Shelley. Lord Byron, que estava em uma villa próxima, propôs que cada um escrevesse uma história aterrorizante. Mary tinha 18 anos quando começou o texto, inspirada por um sonho acordado. A primeira edição saiu em 1818, de forma anônima, com o título “Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno”.
O subtítulo explica parte da força da obra. Prometeu, na mitologia grega, deu o fogo aos humanos e foi castigado por isso. O livro faz uma pergunta que não envelheceu: o que se deve a algo que a ciência cria? Em um momento em que se discutem os limites da inteligência artificial e da biotecnologia, a pergunta ganha novas leituras, o que pode ajudar a explicar a recorrência do tema em teatro, cinema e literatura. A leitura é do Blend do Dia.
A proposta do Coletivo Gompa, segundo a imprensa, desloca essa pergunta para o Brasil. Em vez de discutir apenas o criador e a criatura, a peça usa a figura do corpo remendado para falar de identidade nacional. É uma escolha que divide leituras possíveis, e quem for ao teatro pode concordar ou não com ela.
Como isso afeta você
Quem quer ver a peça tem vários dias: quarta a segunda, às 19h, e domingo, às 18h, até 15 de novembro, por R$ 30 ou R$ 15. A classificação é de 14 anos, o que importa para quem pensa em ir com adolescentes. Quem prefere uma atividade gratuita pode olhar as oficinas que ainda não aconteceram, todas no Teatro II, segundo o Correio da Manhã.
Em 28 e 29 de outubro, “Dramaturgias do Corpo para Atores e Bailarinos”, com Letícia Paranhos, que não exige experiência prévia em dança. Em 31 de outubro, sábado do Halloween, “Histórias de Arrepiar”, com Pedro Bertoldi, para jovens de 12 a 16 anos, sobre escrita criativa de terror. Em 1º de novembro, “Era Uma Vez… Criações Assombradas”, também com Pedro Bertoldi, para crianças de 8 a 11 anos, que combina desenho e narrativa. Em 7 de novembro, “Danças Urbanas para Crianças”, com Thiago Ruffoni, a partir de 7 anos. Em 12 de novembro, “Dramaturgias Híbridas”, com Camila Bauer, sobre escrita teatral experimental. As reportagens consultadas não informam os horários de cada oficina, e a recomendação é conferir no site do CCBB, junto com a disponibilidade de vagas.
Para um passeio mais longo, a programação do CCBB Rio inclui, segundo a página do centro cultural, a exposição “Amazônicas: Poéticas Femininas”, em cartaz até 16 de novembro, que o Blend do Dia detalhou na edição de quarta-feira, 21 de outubro. A página lista também a Cinemateca do MAM no CCBB, até 31 de outubro, e a 21ª Mostra Internacional de Filmes de Montanha, de 28 de outubro a 1º de novembro, sem trazer horários ou preços. Confira tudo no site antes de ir.
Quem não vai ao teatro pode ler o livro. Há edições do romance em português, e a leitura de um clássico começado por uma jovem de 18 anos há mais de dois séculos pode surpreender quem só conhece o monstro das telas.
O que observar daqui para frente
O primeiro ponto é o calendário: a ocupação termina em 15 de novembro, e as oficinas restantes têm datas fixas e, provavelmente, vagas limitadas, o que não está informado pelas fontes. O segundo é a recepção da peça, que o Blend do Dia não avaliou e que depende de quem assistir. O terceiro é a repercussão do tema na programação cultural do fim de ano, já que releituras do clássico têm aparecido em palcos e telas. O quarto é a movimentação do CCBB no feriado de Finados, segunda-feira, 2 de novembro, quando a peça está em cartaz.
Em resumo, a ocupação oferece uma peça adulta, oficinas gratuitas para várias idades e uma boa desculpa para ler ou reler um livro que quase todo mundo conhece pelo nome errado.
Este conteúdo é informativo. Datas, horários, preços e classificação podem mudar, e a confirmação final deve ser feita no site do CCBB Rio.
Fontes
Correio da Manhã, “Frankenstein ganha leitura contemporânea no CCBB Rio pelas mãos de Camila Bauer” (6/10/2026), “CCBB Rio recebe ocupação Frankenstein para Todas as Idades” (19/10/2026) e “CCBB Rio recebe intervenção cênica gratuita às vésperas do Halloween” (20/10/2026); página de programação do CCBB Rio (consultada em 25/10/2026); Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA (NLM), página sobre Mary Shelley e a criação de Frankenstein. As reportagens divergem levemente nas datas de início (12 e 14 de outubro), por tratarem da ocupação e da peça.
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