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Saúde

Vírus respiratórios continuam em alta: o que a Fiocruz mostra e como se proteger no feriado

Vírus respiratórios continuam em alta: o que a Fiocruz mostra e como se proteger no feriado
· 8 min de leitura

Muita gente associa vírus respiratórios ao frio, às gripes do inverno e aos casos que lotam prontos-socorros entre abril e agosto. Mas o boletim mais recente da Fiocruz mostra que, em plena primavera, alguns desses vírus seguem em alta no país, principalmente entre crianças. Não é motivo para pânico, e a maior parte do país não está em situação de alerta, mas é um bom momento para rever hábitos simples de prevenção, conferir a caderneta de vacinação e saber quando procurar atendimento. Neste feriado do Dia das Crianças, com parques, museus e teatros cheios, a informação ganha utilidade extra.

O que aconteceu

Em 8 de outubro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou o novo boletim do InfoGripe, o sistema que acompanha semanalmente os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), isto é, quadros respiratórios que costumam exigir hospitalização. Segundo a Agência Brasil, o rinovírus, o metapneumovírus e o Sars-CoV-2, que causa a covid-19, apresentam tendência de alta no país. Os casos semanais de SRAG por covid-19 seguem baixos. Já o vírus sincicial respiratório (VSR) e a influenza B estão em queda, e a influenza A está estável, em níveis baixos.

O boletim aponta ainda um leve sinal de retomada de casos entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos; nas demais faixas etárias, a situação está estável. Considerando as últimas oito semanas epidemiológicas, a incidência é maior entre crianças de até 2 anos, e a mortalidade se concentra a partir dos 65 anos.

Em nível estadual, Alagoas, Roraima e Sergipe têm incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinais de crescimento nas últimas seis. Em Alagoas e Sergipe, o aumento está associado ao metapneumovírus e ocorre principalmente em crianças e adolescentes. Em Roraima, os dados não permitem identificar o vírus responsável. Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão em alerta, risco ou alto risco, mas sem tendência de crescimento no longo prazo. Entre as capitais, cinco aparecem nessas categorias: Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória.

Para dimensionar o cenário, o jornal ES Hoje, ao cobrir o boletim da semana anterior (divulgado em 1º de outubro), registrou os vírus mais frequentes entre os testes positivos das últimas quatro semanas: rinovírus (52,4%), VSR (18,1%), influenza B (6,7%), covid-19 (4,0%) e influenza A (3,2%). O mesmo texto informa que o país já notificou 157.908 casos de SRAG em 2026. Esses números vêm de uma só fonte e devem ser lidos como referência de ordem de grandeza.

Por que aconteceu

As fontes consultadas descrevem o quadro, mas não atribuem uma causa única à alta. O que se sabe é que os vírus respiratórios têm calendários próprios. A influenza e o VSR costumam dominar os meses frios; já o rinovírus, causador de muitos resfriados comuns, circula o ano todo, e o metapneumovírus humano (HMPV), segundo o Aos Fatos, também circula durante o ano inteiro no Brasil, com aumento no inverno. Quando um vírus perde força, outros podem ocupar espaço nas estatísticas, o que ajuda a explicar a troca de protagonistas observada no boletim. Essa é uma leitura do quadro geral, não uma conclusão dos pesquisadores.

Vale lembrar que o InfoGripe mede casos graves, e não todos os casos. O boletim indica o que está levando pessoas a hospitais, e não o número total de pessoas com resfriado em casa. Isso ajuda a entender por que o foco recai sobre os extremos da vida: bebês e crianças pequenas, com vias aéreas mais estreitas e sistema imunológico ainda em formação, e idosos, mais vulneráveis a complicações.

O que isso significa

O primeiro ponto é de proporção. A maior parte dos estados e capitais não aparece entre os que estão em alerta, e a covid-19, apesar da tendência de alta, segue em patamar baixo. O boletim indica um movimento que merece acompanhamento, e não uma situação de emergência nacional.

O segundo ponto é conhecer o metapneumovírus, que ganhou destaque nas notícias. Segundo o Aos Fatos, ele foi descoberto em 2001, na Holanda, pertence à mesma família do VSR e teve o primeiro caso registrado no Brasil em 2004, em Sergipe. Na maioria das pessoas, causa sintomas leves, como tosse, febre e congestão nasal, mas pode provocar falta de ar e, em crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade fragilizada, evoluir para bronquiolite ou pneumonia, o que é raro. Não existe vacina nem antiviral específico para o HMPV, e o tratamento costuma ser repouso, hidratação e controle dos sintomas, com internação apenas em casos raros.

O terceiro ponto é que a prevenção é, em grande parte, a mesma para todos esses vírus. Eles se transmitem por gotículas de tosse e espirro, pelo contato próximo e por superfícies contaminadas. Por isso, medidas simples funcionam para vários ao mesmo tempo, mesmo sem vacina específica.

Como afeta você

Em casa, mantenha o básico: lave as mãos com frequência, cubra a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, evite compartilhar copos e talheres e mantenha os ambientes ventilados. Quem está doente deve ficar em casa, e isso vale especialmente para crianças com tosse, coriza ou febre, que não devem ir à escola nem a locais cheios enquanto estiverem sintomáticas. Se há um bebê, um idoso ou uma pessoa com imunidade baixa na família, vale redobrar a atenção com visitas que estejam resfriadas.

Quanto às vacinas, a recomendação dos pesquisadores no boletim é que a população prioritária confira se está com a vacinação contra a covid-19 em dia e que as gestantes se vacinem também contra o VSR. A vacina contra o VSR para gestantes (Abrysvo) foi incorporada ao SUS por decisão da Conitec em fevereiro de 2025, e a indicação do fabricante é uma dose entre a 24ª e a 36ª semana de gestação, segundo a reportagem da época. Para saber se você ou seu filho está no grupo prioritário e se há dose disponível, leve a caderneta a uma unidade de saúde ou consulte o pré-natal, no caso de gestantes, porque os calendários podem mudar. Para a covid-19, as indicações de rotina do SUS já incluíram idosos a partir de 60 anos, gestantes, imunocomprometidos e crianças pequenas, mas confirme o calendário atual no posto.

Fique atento aos sinais de alerta. Febre alta persistente, cansaço intenso e dificuldade para respirar são motivos para procurar atendimento. Em crianças, observe também respiração rápida ou com esforço, sonolência excessiva e recusa de alimentos ou líquidos. Em caso de dúvida, procure uma unidade de saúde: o diagnóstico depende de avaliação profissional.

Como o feriado de 12 de outubro costuma levar famílias a passeios com muita gente, vale combinar prevenção e bom senso: prefira ambientes ventilados quando possível, adie o passeio se a criança estiver doente e lave as mãos antes de lanches. Isso não substitui o lazer, apenas o torna mais seguro.

O que observar daqui para frente

O primeiro ponto é o próximo boletim do InfoGripe, que mostrará se as altas de rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 se sustentam ou perdem força, e se mais estados entram em alerta. O segundo é a situação em Alagoas e Sergipe, onde há crescimento associado ao metapneumovírus, e em Roraima, onde ainda falta identificar o vírus responsável.

O terceiro é a faixa de 2 a 14 anos, em que o boletim aponta o leve sinal de retomada. Como essa idade coincide com o ritmo escolar e com atividades em grupo, vale acompanhar as orientações de escolas e secretarias de saúde. Por fim, vale conferir periodicamente o calendário de vacinação, que pode mudar conforme a situação epidemiológica e as decisões do Ministério da Saúde.

Este texto é informativo e não substitui orientação médica. Em caso de sintomas respiratórios graves, procure atendimento de saúde.

Fontes

Agência Brasil, “Vírus respiratórios ainda estão em alta no país, alerta Fiocruz” (08/10/2026), com dados do boletim InfoGripe/Fiocruz; ES Hoje, “InfoGripe: Espírito Santo tem alta de metapneumovírus” (01/10/2026); Aos Fatos, “O que é o vírus HMPV” (07/01/2025); TNH1/Agência Brasil, sobre a incorporação da vacina contra o VSR para gestantes (14/02/2025); Portal de Prefeitura, “Covid-19: vacina passa a ser de rotina para idosos e gestantes” (17/12/2024).

Marcelo J. Sousa
Escrito por Marcelo J. Sousa

Analista, entusiasta de tecnologia e finanças, criador do Blend do Dia. Autor de Logos: Código Sombra.

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