O mercado brasileiro de vitaminas e suplementos cresceu 42% em faturamento no último ano, segundo levantamento da Interplayers divulgado esta semana. O setor, que já movimentou R$ 4,6 bilhões em 2024, caminha para dobrar de tamanho até 2028. Nas farmácias, nas academias e nas redes sociais, a cultura da suplementação nunca esteve tão presente. Mas o que a ciência realmente diz sobre os produtos mais consumidos pelos brasileiros?
Os mais consumidos — e o que a evidência mostra
As categorias que mais crescem no Brasil são ligadas à imunidade, energia e saúde intestinal. A vitamina D lidera as buscas e as vendas — e, nesse caso, a ciência concorda: a deficiência de vitamina D é extremamente prevalente no Brasil, mesmo sendo um país tropical, e a suplementação tem evidências sólidas para quem apresenta níveis baixos. O problema é que muita gente suplementa sem saber se realmente precisa.
A vitamina C é outro clássico. Aqui, a evidência é mais nuançada: ela não previne resfriados em pessoas saudáveis, mas pode reduzir a duração dos sintomas em quem já está doente. Para a maioria das pessoas com alimentação equilibrada, a suplementação de vitamina C não traz benefício adicional comprovado.
O magnésio ganhou popularidade enorme nos últimos dois anos, especialmente nas redes sociais, associado à melhora do sono, redução do estresse e alívio de câimbras. A ciência apoia esses usos — mas com ressalvas: a forma do magnésio importa muito. O magnésio glicinato e o citrato são mais bem absorvidos do que o óxido de magnésio, que é o mais barato e o mais vendido.
O fenômeno GLP-1 e a nova suplementação
Uma das maiores transformações do mercado de suplementos em 2026 é o impacto dos medicamentos GLP-1 (como Ozempic e Wegovy) no comportamento de consumo. Quem usa esses medicamentos come menos — e, portanto, ingere menos nutrientes. Isso criou uma demanda nova por suplementos de proteína, ferro, B12 e zinco entre usuários de GLP-1, transformando a lógica da suplementação para esse público.
Paralelamente, o mercado de probióticos explodiu. A ciência da microbiota intestinal avançou muito nos últimos anos, e há evidências crescentes de que o equilíbrio da flora intestinal afeta não apenas a digestão, mas também o humor, o sistema imunológico e até o risco de doenças crônicas. Os probióticos com cepas específicas (como Lactobacillus rhamnosus e Bifidobacterium longum) têm evidências mais sólidas do que os produtos genéricos.
O que você precisa saber antes de comprar
A primeira pergunta que qualquer médico ou nutricionista fará é: você tem deficiência comprovada? Suplementar sem necessidade não só é desperdício de dinheiro — em alguns casos, pode ser prejudicial. Vitamina A e vitamina E em excesso, por exemplo, são tóxicas. O ferro em excesso pode causar danos ao fígado.
A segunda questão é a qualidade do produto. O Brasil tem regulação da Anvisa para suplementos, mas a fiscalização é limitada. Produtos com selos de qualidade de terceiros (como NSF, Informed Sport ou USP) oferecem mais garantia de que o que está escrito no rótulo é o que está dentro da embalagem.
Por fim, nenhum suplemento substitui uma alimentação equilibrada, sono de qualidade e atividade física regular. A ciência é clara: o efeito de um bom estilo de vida é muito maior do que qualquer cápsula. Os suplementos, quando indicados, são exatamente isso — um complemento, não uma solução.
Fontes: Jornal de Barueri / Interplayers | Compare Suplementos | Anvisa | PubMed