Duzentos e oito anos depois de Mary Shelley escrever “Frankenstein”, o monstro mais mal compreendido da literatura chega ao Rio numa versão que troca o raio e o laboratório gótico por um questionamento bem mais atual: o que acontece quando criamos algo — ou alguém — sem pensar nas consequências. O Grupo Liquidificador estreou nesta semana sua montagem de “Frankenstein de Mary Shelley” no CCBB, numa temporada curta que celebra os 15 anos do grupo.
O que exatamente é o espetáculo
A peça fica em cartaz de 6 a 30 de agosto no Teatro III do CCBB Rio, com sessões de quinta a sábado às 19h e domingo às 18h. Ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia para estudantes, maiores de 65 anos e correntistas do Banco do Brasil), disponíveis na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura. A direção é de Fernanda Alpino, com Ana Quintas e Larissa Souza em cena — as duas atrizes, segundo a proposta do espetáculo, “borram as fronteiras entre criadora e criatura”.
Por que essa montagem foge do clichê
A maioria das adaptações de “Frankenstein” que chegam ao cinema e à TV se prende à imagem consolidada pelo cinema clássico: monstro verde, parafusos no pescoço, raio no laboratório. O Grupo Liquidificador vai por outro caminho — a peça traz Mary Shelley viajando no tempo para confrontar um movimento contemporâneo de marketing chamado “prometeísmo”, enquanto apresenta sua criatura ao público. A montagem mistura aventura, palestra, comédia, drama, horror e ficção científica, e usa cenas não-realistas com desenho de som, cenografia e iluminação para transformar o palco num laboratório fictício.
O que isso significa na prática
O texto original de Shelley, escrito em 1818, já discutia os limites éticos da criação — o cientista Victor Frankenstein cria vida sem pensar no que fazer com ela depois. Duzentos anos depois, a montagem usa esse esqueleto pra falar diretamente sobre inteligência artificial e avanço tecnológico sem responsabilidade — o mesmo tipo de pergunta que a sociedade brasileira vem fazendo em 2026, só que aplicada a um clássico da literatura em vez de a uma manchete de tecnologia.
Como isso afeta você
Se você mora no Rio ou vai passar por lá entre 6 e 30 de agosto, é uma temporada curta — quem quiser ver precisa se programar logo, já que o grupo não confirmou extensão além desse período. Para quem gosta de teatro autoral e adaptações que fogem do óbvio, é também uma chance de ver um grupo com 15 anos de trajetória tratando um clássico com um olhar bem contemporâneo, sem precisar viajar pra fora do eixo Rio-São Paulo.
O que observar daqui pra frente
Vale ficar de olho se a temporada no Rio se estende além de 30 de agosto — o Grupo Liquidificador já levou a peça a Brasília antes, então uma passagem por outras cidades não está descartada. Também vale acompanhar a recepção da crítica e do público nas primeiras semanas, já que peças de temporada curta costumam decidir extensão com base na procura das primeiras sessões.
📚 Leia Também
Rock in Rio 2026 Abre Venda Extra pros 4 Dias Esgotados: Calvin Harris, Elton John, Stray Kids e Maroon 5
Wicked Chega ao Rio: o Musical Que Esgotou São Paulo Três Vezes Estreia na Cidade das Artes
Cem Anos de "Metrópolis": Mostra Gratuita no Rio Revisita o Filme Que Inventou o Futuro no Cinema


