Desde o dia 20 de abril de 2026, todos os hotéis, pousadas, hostels e estabelecimentos de hospedagem do Brasil são obrigados por lei a adotar a FNRH Digital — a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes em formato eletrônico. O sistema, desenvolvido pelo Serpro e integrado ao Gov.br, substitui definitivamente a antiga ficha em papel que existia desde 2010.
O Que Muda Para Quem Viaja
Para quem tem conta Gov.br ativa: O processo fica mais rápido e conveniente. Você preenche os dados uma vez, e eles ficam salvos para futuras hospedagens.
Para quem não tem conta Gov.br: Pode ser um problema. O sistema exige cadastro na plataforma do governo para brasileiros. Quem nunca criou uma conta Gov.br vai precisar fazer isso antes de viajar.
Para estrangeiros: Há uma exceção — turistas estrangeiros podem usar o sistema sem conta Gov.br, preenchendo os dados diretamente.
O Debate Que Ninguém Está Tendo
O governo vende a FNRH Digital como modernização e praticidade. E é, de fato, mais conveniente do que a ficha em papel. Mas há uma questão que merece atenção: o que acontece com os seus dados?
Antes, as fichas de hospedagem ficavam arquivadas fisicamente em cada estabelecimento — fragmentadas, difíceis de cruzar. Com a FNRH Digital, todos os seus dados de deslocamento passam a alimentar uma base centralizada do governo federal em tempo real: onde você esteve, quando, por quanto tempo, com quem.
Isso não é necessariamente ruim — pode ajudar a combater crimes e tráfico humano. Mas é uma mudança significativa no nível de vigilância sobre a movimentação dos cidadãos, e ela aconteceu sem muito debate público.
A Implementação Ainda É Caótica
Segundo o próprio Serpro, apenas 20% dos estabelecimentos cadastrados no Cadastur aderiram ao sistema até agora, mesmo com a obrigatoriedade já em vigor. Hotéis que não aderirem podem ser multados e ter o Cadastur cancelado.
O Que Você Deve Fazer
1. Crie ou atualize sua conta Gov.br antes da sua próxima viagem.
2. Ao fazer uma reserva, pergunte ao estabelecimento se já usa a FNRH Digital.
3. Leia os termos de uso da FNRH Digital para entender quais dados são coletados e quem tem acesso a eles.
Fontes: Serpro, Ministério do Turismo, TudoCelular, Cadastur