O Ministério da Saúde anunciou em 8 de junho a suspensão temporária da Butantan-DV, a vacina brasileira contra a dengue — a primeira do mundo em dose única. A medida, de caráter precautório, abalou a expectativa de milhões de brasileiros que aguardavam imunização em massa. O que aconteceu, o que muda para quem já tomou e o que fazer agora?
O que aconteceu
Entre as aproximadamente 500 mil doses aplicadas até 30 de maio, o Ministério registrou 42 notificações de reações adversas com sinais de alerta: dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três casos foram classificados como graves — e dois resultaram em óbito.
A Anvisa foi acionada e constituirá um painel de especialistas para investigar os eventos adversos. O Instituto Butantan afirmou que os vacinados permanecem protegidos e que colaborará com as investigações.
Contexto: por que a vacina era tão esperada
A Butantan-DV é a primeira vacina contra dengue eficaz em dose única no mundo, aprovada pela Anvisa para pessoas entre 12 e 59 anos — incluindo quem nunca teve dengue (diferente da Dengvaxia, que exigia soropositividade prévia). O Brasil registrou mais de 6 milhões de casos de dengue em 2024, e a expectativa era de que a vacina fosse o maior avanço na saúde pública brasileira em anos.
Com a suspensão, o único imunizante disponível no SUS continua sendo o Qdenga (Takeda), que não foi afetado pela medida.
O que fazer se você já tomou a vacina
O Butantan e o Ministério da Saúde garantem que quem já foi vacinado continua protegido. Não há recomendação de nenhuma ação adicional para quem recebeu a dose. Fique atento aos sintomas de alerta — dor abdominal intensa, vômitos que não passam, sangramento — e, se aparecerem, procure atendimento médico imediatamente informando que tomou a Butantan-DV.
O que fazer se você ainda não tomou
Por enquanto, a vacinação com a Butantan-DV está suspensa. Não há prazo definido para retomada. Enquanto isso:
- Consulte seu médico sobre a possibilidade de tomar o Qdenga (disponível em clínicas privadas e em alguns municípios do SUS)
- Mantenha as medidas de prevenção contra o Aedes aegypti: elimine água parada, use repelente, instale telas
- Acompanhe os boletins do Ministério da Saúde — a retomada pode acontecer rapidamente se a investigação descartar relação causal
Uma perspectiva necessária
Dois óbitos entre 500 mil doses representam uma taxa de 0,0004% — inferior à de muitas vacinas amplamente usadas no mundo. A suspensão é uma medida técnica e responsável de vigilância sanitária, não uma confirmação de falha da vacina. A investigação vai determinar se há relação causal ou coincidência.
O mais importante agora é manter a calma, seguir as orientações oficiais e não abandonar outras medidas preventivas contra a dengue — que segue circulando no país mesmo com os casos reduzidos em 75% em relação a 2025.
Fontes: Ministério da Saúde, Agência Brasil, CNN Brasil, Instituto Butantan.