No primeiro trimestre de 2026, um novo risco digital surgiu no Brasil a cada 13 minutos, segundo o mais recente Mapa da Fraude da Serasa Experian. O número não é uma estimativa solta: é o resultado de um sistema que monitora, em tempo real, tentativas de fraude em cadastros, compras online e apostas esportivas em todo o país. E o dado que resume o tamanho do problema é ainda mais direto — mais da metade da população economicamente ativa do Brasil já foi vítima de algum tipo de fraude.
Este texto explica o que o levantamento mostrou, por que o crime digital está crescendo nesse ritmo, e o que muda na prática para quem usa internet, banco e aplicativo de compra no dia a dia.
O que aconteceu
A Serasa Experian divulgou os números do primeiro trimestre de 2026 do Mapa da Fraude, seu radar contínuo de tentativas de golpe no país. Os destaques:
- Um novo risco digital identificado a cada 13 minutos, alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.
- 19,7 milhões de mensagens fraudulentas (SMS, WhatsApp, e-mail) circulando no trimestre — o equivalente a 152 por minuto.
- 1,5 milhão de tentativas de cadastro fraudulento em empresas (o chamado onboarding), crescimento de 36,6% — uma tentativa a cada 5 segundos, com 60% concentradas em instituições financeiras.
- Fraudes em apostas esportivas cresceram 15 vezes frente aos níveis anteriores.
- 368 mil tentativas de fraude em compras online, puxadas por beleza, calçados e saúde.
- Grupos de criminosos que compartilham técnicas de golpe entre si cresceram 139%, somando quase 2 mil comunidades monitoradas.
- Sistemas de prevenção evitaram R$ 2,3 bilhões em perdas no período — ou seja, o prejuízo é grande, mas seria bem maior sem as barreiras já em funcionamento.
Por que isso está acontecendo
Três fatores se reforçam ao mesmo tempo. O primeiro é econômico: fraude digital, hoje, é um negócio organizado, com divisão de trabalho entre quem rouba dados, quem os vende e quem aplica o golpe final — e o crescimento de 139% nas comunidades de compartilhamento de técnicas mostra que esse mercado está profissionalizando rápido.
O segundo é tecnológico: golpes que antes exigiam conhecimento técnico específico hoje são vendidos como serviço pronto, incluindo o uso de inteligência artificial para gerar mensagens de phishing mais convincentes e sites falsos quase idênticos aos originais.
O terceiro é comportamental: o crescimento explosivo das apostas esportivas online no Brasil nos últimos dois anos criou um público novo, menos familiarizado com os sinais de golpe financeiro digital, e por isso mais vulnerável — o que ajuda a explicar por que essa categoria específica cresceu 15 vezes.
O que isso significa na prática
O dado mais importante do relatório não é o volume de golpes — é que mais da metade dos brasileiros em idade produtiva já foi atingida por algum tipo de fraude. Isso significa que a pergunta relevante deixou de ser “isso pode acontecer comigo” e passou a ser “quando foi a última vez que quase aconteceu comigo, e eu percebi”.
Também significa que a responsabilidade não é só do usuário mais desatento. Com 60% das tentativas de cadastro fraudulento mirando bancos e fintechs diretamente, fica claro que o alvo prioritário do crime organizado são as próprias portas de entrada do sistema financeiro — não apenas o clique individual de alguém em um link suspeito.
Como isso afeta você
Na prática, isso se traduz em mais cautela em situações que já viraram rotina: um cadastro novo em um site, uma promoção “boa demais” em uma loja online de beleza ou calçados, uma casa de apostas nova recém-lançada, uma mensagem de banco pedindo confirmação de dados. Cada uma dessas categorias apareceu destacada no levantamento como ponto de maior crescimento de fraude.
Vale reforçar um hábito simples e eficaz: desconfiar por padrão de qualquer contato — mensagem, e-mail ou ligação — que peça dados pessoais, senha ou código de confirmação, mesmo quando parece vir de uma empresa ou banco legítimo. Instituições sérias não pedem esse tipo de informação por esses canais.
O que observar daqui para frente
Vale acompanhar se a Serasa mantém a divulgação trimestral do Mapa da Fraude — os próximos números vão mostrar se o crescimento de 8,3% é o início de uma tendência mais longa ou um pico pontual ligado à explosão das apostas esportivas. Também vale observar como bancos e fintechs reagem: a tendência recente é reforçar a autenticação em duas etapas e os alertas automáticos de tentativa de acesso suspeito — medidas que qualquer usuário pode e deve ativar por conta própria, sem esperar que a instituição force isso.
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Fontes: Serasa Experian (Mapa da Fraude, 1º trimestre de 2026), reportagem do InfoMoney.

