Mais de cem obras, um pterossauro de oito metros feito com cinzas do Museu Nacional e um carro em escala real montado como se fosse um brinquedo gigante. A mostra “Vik Muniz: A Olho Nu”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Centro do Rio, segue até 12 de outubro — tempo de sobra para quem ainda não foi, com uma vantagem rara para uma exposição desse porte: a entrada é gratuita.
O que aconteceu
“Vik Muniz: A Olho Nu” é a maior retrospectiva já dedicada ao artista brasileiro mais conhecido internacionalmente pelo uso de materiais inusitados — açúcar, lixo, chocolate, molho de tomate — para recriar imagens icônicas da história da arte e da cultura visual. A exposição reúne mais de uma centena de obras atravessando diferentes fases da carreira de Vik Muniz, incluindo cerca de 20 trabalhos inéditos e peças restauradas especialmente para a mostra carioca.
Entre os destaques está a escultura “Ferrari Berlinetta”, com mais de quatro metros, que reproduz em escala real um carrinho de brinquedo — brincando com proporção e memória afetiva, temas recorrentes no trabalho do artista. Outro ponto alto é “Tropeognathus mesembrinus” (2026), um pterossauro de mais de oito metros feito com polímero e cinzas do Museu Nacional, recolhidas após o incêndio de 2018 que destruiu grande parte do acervo da instituição — uma peça que transforma tragédia histórica em memória física da própria mostra. A série “Museu de Cinzas” reúne, ao todo, seis conjuntos de obras novas criadas especialmente para a versão carioca da exposição, e um tapete gigante estampado com a obra “Medusa Marinara” — criada originalmente com molho de tomate — completa o conjunto de peças que mostram o método mais reconhecido do artista: fotografar composições feitas com materiais do cotidiano e transformar o registro em obra de arte.
Por que isso importa agora
Retrospectivas dessa escala — mais de cem obras, com peças inéditas criadas especificamente para a exposição, não apenas emprestadas de outras mostras — são raras na agenda cultural do Rio fora de temporadas específicas como o verão ou grandes eventos internacionais. O fato de a mostra ficar em cartaz por quase cinco meses (de 20 de maio a 12 de outubro) também foge do padrão de exposições que passam rápido pela cidade — dá tempo de planejar a visita com calma, inclusive repetir a ida, já que o volume de obras dificilmente se esgota numa única passagem.
Vik Muniz também carrega um significado específico para o Rio: nascido em São Paulo, construiu parte importante da carreira no exterior — vive entre Nova York e o Rio de Janeiro — e é hoje um dos artistas brasileiros vivos mais reconhecidos internacionalmente, com obras em coleções de museus como MoMA e Metropolitan, em Nova York. Ter uma retrospectiva dessa dimensão na cidade, de graça, é um tipo de acesso que normalmente estaria restrito a quem pode viajar para ver o trabalho dele em circuito internacional.
O que isso significa
Para quem acompanha o circuito de artes visuais do Rio, essa é a mostra mais relevante em cartaz no momento — não apenas pelo nome do artista, mas pela curadoria específica para a cidade, que inclui a conexão direta com o Museu Nacional e suas cinzas, um evento que marcou a memória cultural carioca recente. Para quem não tem o hábito de frequentar exposições, é uma porta de entrada relativamente fácil: entrada gratuita, tema acessível (materiais do dia a dia, não uma linguagem hermética de arte contemporânea) e obras com forte apelo visual mesmo para quem não tem repertório prévio em história da arte.
Como isso afeta você
Se você mora ou vai estar no Rio até outubro, dá para planejar a visita sem pressa — a entrada é gratuita, mas exige emissão de ingresso pelo site do CCBB antes de ir, então vale reservar com antecedência, principalmente em fins de semana, quando a procura tende a ser maior. Para quem gosta de unir cultura com um passeio mais amplo pelo Centro do Rio, o CCBB fica em uma região com outros equipamentos culturais próximos, o que permite programar um dia inteiro dedicado a museus e exposições no Centro.
Vale reservar pelo menos uma hora e meia a duas horas para a visita, dado o volume de obras — quem for com pressa corre o risco de passar pela mostra sem parar nas peças que exigem mais tempo de observação, como a série “Museu de Cinzas”.
O que observar daqui para frente
Com a mostra seguindo até 12 de outubro, vale acompanhar se o CCBB vai promover atividades paralelas — visitas guiadas, encontros com o artista ou programação educativa — à medida que a data de encerramento se aproxima, algo comum em exposições de grande público nas semanas finais. Também vale ficar de olho em possível prorrogação, já que exposições de grande sucesso de público no CCBB já foram estendidas além da data original em outras ocasiões.
Recomendações do Blend
Para quem for visitar a exposição e quiser registrar bem as obras (a curadoria costuma liberar fotos para uso pessoal), vale considerar acessórios de fotografia para celular, como lentes complementares ou estabilizadores, que ajudam a capturar obras de grande escala como a escultura em tamanho real e o pterossauro.
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Fontes: CCBB Rio de Janeiro — Programação oficial, Agenda Carioca
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