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Tecnologia

Chery leva robôs humanoides para concessionárias brasileiras a partir do fim de 2026

Chery leva robôs humanoides para concessionárias brasileiras a partir do fim de 2026
· 7 min de leitura

Enquanto o debate sobre robôs humanoides ainda soa distante para boa parte do público brasileiro, uma montadora chinesa já decidiu testar a ideia na prática: a partir do último trimestre de 2026, concessionárias da Chery no Brasil vão receber um cão-robô de companhia e um humanoide de atendimento — os primeiros representantes comerciais desse tipo de tecnologia a circular livremente entre consumidores comuns no país.

O que aconteceu

A Chery, por meio de sua divisão de robótica batizada AiMOGA, confirmou a chegada ao Brasil de dois produtos: o cão-robô Argos, pensado como robô de companhia para venda direta ao consumidor final, e o humanoide Mornine, que vai atuar dentro de concessionárias das marcas Omoda&Jaecoo para interações automatizadas com clientes — cumprimentar visitantes, responder perguntas simples sobre os veículos expostos e guiar o público pelo espaço de vendas. Ambos os equipamentos já receberam homologação da Anatel, etapa obrigatória para qualquer aparelho que se conecte a redes de telecomunicação no país, o que sinaliza que o lançamento não é apenas uma promessa de marketing, mas um produto próximo de circular de fato.

O lançamento também marca a estreia de uma robótica mais generalista da montadora no varejo brasileiro, e chega poucos meses depois de a Chery expandir seus planos industriais no país: a empresa vai ocupar, em Itatiaia (RJ), a estrutura fabril que a JLR deixará vago, transformando a unidade em um polo de exportação para toda a América Latina. A ideia declarada pela montadora é usar o Brasil não só como mercado consumidor, mas como base regional — inclusive para tecnologia híbrida flex-fuel adaptada ao uso de etanol, aproveitando a experiência do país com biocombustíveis.

Por que aconteceu

A aposta da Chery em levar robôs a concessionárias de carros só faz sentido dentro de um movimento muito maior: a China está acelerando de forma agressiva sua produção de robótica humanoide, com estimativas do banco Morgan Stanley apontando para cerca de 50 mil unidades entregues só no mercado chinês em 2026 — o dobro da previsão anterior, de 28 mil. Projeções de mais longo prazo falam em um mercado que pode movimentar US$ 5 trilhões até 2050, com mais de 1 bilhão de unidades operacionais no mundo todo. Em outras palavras, o robô humanoide está deixando de ser promessa de ficção científica para se tornar, aos olhos de fabricantes chineses, uma ferramenta comercial concreta — e ambientes controlados, como uma concessionária ou uma loja, são justamente onde esse tipo de tecnologia consegue provar seu retorno financeiro com menos risco.

Para a Chery especificamente, colocar um humanoide dentro da própria concessionária funciona como uma vitrine dupla: ao mesmo tempo em que testa a aceitação do público brasileiro a esse tipo de interação, a empresa também demonstra a capacidade tecnológica do grupo — reforçando a imagem de uma montadora que não vende só carros, mas um “ecossistema de inteligência artificial aplicado ao varejo e ao consumidor final”, nas palavras usadas pela própria divisão de robótica. Não é a primeira vez que fabricantes de veículos usam robôs para atrair atenção e curiosidade em pontos de venda, mas a escala prevista — com lançamento comercial real, não apenas demonstração pontual em feira — é o que diferencia esse movimento.

O que isso significa

Para o varejo brasileiro como um todo, a chegada desses robôs é um sinal de que a automação de atendimento ao cliente está saindo do campo experimental. Robôs de atendimento já vinham sendo testados em alguns segmentos do varejo nacional em escala pequena, mas a entrada de uma montadora com centenas de concessionárias no país muda a ordem de grandeza — se a experiência for considerada um sucesso comercial, é razoável esperar que outras marcas do setor automotivo, e depois de outros setores, sigam o mesmo caminho nos próximos anos.

Isso também reacende uma discussão que já vinha ganhando força em 2026: o quanto a automação vai, de fato, substituir postos de trabalho no comércio. Estudos e planos setoriais já apontam para um horizonte de treinamento de robôs para assumir funções de atendimento até o fim da década — o caso da Chery é um exemplo concreto e datado desse movimento começando a chegar ao consumidor brasileiro, não apenas uma tendência distante discutida em relatórios internacionais.

Como isso afeta você

Se você frequenta ou pretende visitar uma concessionária Omoda&Jaecoo a partir do fim deste ano, é bem possível que seja recebido por um humanoide em vez de (ou além de) um vendedor humano — vale ter isso em mente e, se preferir atendimento tradicional, perguntar diretamente por um consultor de vendas humano, algo que costuma continuar disponível nesse tipo de implantação inicial, voltada mais para reforçar a experiência do que para substituir integralmente a equipe.

Para quem trabalha no varejo, sobretudo em funções de atendimento ao público, vale acompanhar de perto como esse tipo de experiência é recebida pelos consumidores — o resultado dessa fase de testes tende a influenciar diretamente a velocidade com que a automação avança para outros setores do comércio nos próximos anos, e entender essa curva com antecedência ajuda a se posicionar profissionalmente diante dela, seja se especializando em funções que a automação ainda não cobre bem, seja se atualizando sobre como operar ao lado dessas novas ferramentas.

Para quem gosta de tecnologia por curiosidade, mesmo sem interesse imediato em comprar um carro chinês, vale acompanhar as primeiras impressões de quem visitar essas concessionárias — casos como esse costumam gerar bastante conteúdo em vídeo e redes sociais nas primeiras semanas após o lançamento, o que pode ser uma forma prática (e gratuita) de ver a tecnologia em ação antes de decidir se vale a pena conhecer pessoalmente.

Vale também situar esse lançamento dentro de um contexto mais amplo: o mercado global de robótica humanoide, ainda incipiente há poucos anos, já soma milhares de unidades vendidas anualmente, com o setor de fábricas e centros logísticos concentrando boa parte da automação até aqui — tarefas repetitivas em ambientes controlados, onde o retorno financeiro é mais fácil de medir. A novidade da aposta da Chery é justamente levar esse tipo de tecnologia para fora do ambiente industrial e colocá-la de frente para o consumidor final, numa situação de interação social direta, não apenas de produção. É um teste bem mais exposto ao julgamento público do que rodar um robô numa linha de montagem fechada — qualquer falha de comportamento do humanoide em uma concessionária lotada de clientes vira, quase certamente, vídeo de rede social no mesmo dia.

O que observar daqui para frente

Vale acompanhar se a Chery de fato cumpre o cronograma de lançamento no último trimestre de 2026 — anúncios desse tipo, envolvendo hardware físico e homologação regulatória, costumam sofrer atrasos entre o anúncio e a chegada real ao consumidor. Também vale observar se outras marcas automotivas no Brasil, concorrentes diretas da Chery, anunciam iniciativas semelhantes como resposta — um movimento que tende a se acelerar caso a experiência inicial seja bem recebida pelo público.

Por fim, fica a pergunta mais ampla: se a experiência em concessionárias for considerada um sucesso comercial pela Chery, quais outros setores do varejo brasileiro — supermercados, lojas de departamento, agências bancárias — podem ser os próximos a testar esse tipo de automação de atendimento em escala real, e não apenas como demonstração pontual.

Recomendações do Blend: para quem se interessa por robótica e automação aplicada ao dia a dia, vale considerar acompanhar canais especializados em tecnologia veicular e varejo para entender melhor essa transição. Este post pode conter links de afiliados. Ao comprar através deles, você apoia o Blend do Dia sem custo adicional.

Fontes: O Tempo, AutoData, AutoRanking.

Marcelo J. Sousa
Escrito por Marcelo J. Sousa

Analista, entusiasta de tecnologia e finanças, criador do Blend do Dia. Autor de Logos: Código Sombra.

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