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Cultura

“Amazônicas” Chega ao Metaverso: a Exposição no CCBB Que Mistura Arte Indígena, Floresta e Realidade Virtual

“Amazônicas” Chega ao Metaverso: a Exposição no CCBB Que Mistura Arte Indígena, Floresta e Realidade Virtual
· 7 min de leitura

Imagine entrar numa sala escura, colocar um óculos de realidade virtual e, em vez de um jogo ou uma simulação genérica, se ver dentro de uma pintura amazônica em 360 graus, pintada por uma artista que nasceu e vive na floresta que está retratando. É essa a proposta central de “Amazônicas — Poéticas Femininas”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro.

O que aconteceu

A exposição reúne 80 obras de 21 artistas mulheres da região Norte do Brasil, com curadoria de Sissa Aneleh, em cartaz no CCBB Rio desde o início de setembro até 16 de novembro de 2026, com entrada gratuita (ingressos disponíveis online ou na própria bilheteria, com funcionamento de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h). O acervo passeia por técnicas bem diferentes entre si — pintura, escultura, fotografia, gravura, objeto, arte digital e videoarte —, mas o ponto que diferencia essa mostra de uma exposição tradicional de arte regional é a camada de tecnologia imersiva somada ao acervo físico.

Entre as artistas reunidas estão nomes como Auá Mendes, Rita Huni Kuin, Yaka Huni Kuin, Maria Auxiliadora Zuazo e Wɨra Tini, ao lado de outras 16 criadoras — um recorte amplo tanto geograficamente (diferentes estados da Amazônia Legal) quanto em trajetória artística, misturando nomes já consolidados no circuito de arte contemporânea com vozes indígenas e ribeirinhas menos presentes nos grandes museus do eixo Rio-São Paulo. A presença de artistas dos povos Huni Kuin, do Acre, ao lado de criadoras urbanas de capitais como Manaus e Belém, reforça que “arte amazônica” nessa mostra não é tratado como categoria única e homogênea, mas como um conjunto de vozes distintas dentro de um mesmo território.

Por que aconteceu

O recurso à tecnologia não é enfeite: a mostra inclui um filme em realidade virtual com visão de 360 graus, um cenário construído em realidade aumentada (acessado por óculos 3D) e uma obra coletiva colaborativa batizada de “Mensagem para a Amazônia” — peças pensadas especificamente para que o visitante não apenas observe a floresta representada, mas tenha uma experiência sensorial de imersão nela, algo que a pintura ou a fotografia tradicional, sozinhas, não conseguem oferecer.

A curadora Sissa Aneleh resumiu o processo de montagem da mostra dizendo que foi “encontrando as artistas e identificando as principais”, destacando a força da pintura no conjunto reunido. Em outro momento, definiu o conceito central da exposição de forma direta: “a Amazônia é suporte, é motivo, é a própria obra de arte” — ou seja, a floresta não aparece só como cenário ou tema recorrente, mas como material e protagonista das obras, ora literalmente (pigmentos, fibras e materiais de origem vegetal usados em algumas peças), ora simbolicamente.

A exposição integra um projeto itinerante batizado de “Espaço Petrobras Amazônicas”, que já passou por outras capitais brasileiras — incluindo Brasília e Fortaleza — antes de chegar ao Rio, com adaptações de curadoria e montagem específicas para cada cidade-sede, mas mantendo o núcleo de obras e o eixo temático da autoria feminina amazônica.

O que isso significa

“Amazônicas” chega num momento em que a discussão pública sobre a Amazônia no Brasil costuma girar quase exclusivamente em torno de desmatamento, clima e política ambiental — pautas legítimas, mas que raramente dão espaço para a produção cultural e artística de quem vive na região. A exposição inverte essa lógica: coloca mulheres amazônidas como autoras da narrativa sobre o próprio território, em vez de sujeitos observados por um olhar externo.

O uso de tecnologia imersiva também sinaliza uma tendência mais ampla no circuito de grandes exposições brasileiras: unir acervo físico tradicional a recursos de realidade virtual e aumentada não é mais exclusividade de mostras internacionais de blockbuster (como as itinerantes de Van Gogh ou Monet, que já passaram por São Paulo e Rio usando projeção imersiva em larga escala) — museus e centros culturais brasileiros estão adotando essas mesmas ferramentas para exposições de conteúdo nacional e autoral, o que reduz o hiato tecnológico entre mostras estrangeiras e produção brasileira.

Como isso afeta você

Se você mora no Rio ou pretende visitar a cidade antes de 16 de novembro, a exposição é gratuita e fica no CCBB Rio, no Centro da cidade — um dos poucos programas culturais de grande porte com esse volume de obras e recursos tecnológicos sem custo de ingresso, o que reduz a barreira de acesso especialmente para quem não costuma frequentar exposições pagas com regularidade.

Para quem se interessa por arte indígena e amazônica mas nunca teve contato direto com peças de artistas da região Norte fora de reportagens ou documentários, a mostra funciona como porta de entrada: o recorte de 21 artistas e 80 obras é amplo o suficiente para servir de panorama introdutório, sem exigir conhecimento prévio do visitante sobre movimentos ou escolas artísticas específicas.

Vale reservar tempo específico para as experiências de realidade virtual e aumentada — esse tipo de instalação costuma ter fila e tempo de espera maior que o percurso expositivo tradicional, já que o número de óculos 3D disponíveis simultaneamente é limitado, então quem for com pressa corre o risco de pular justamente o diferencial mais comentado da mostra. Ir em dia de semana, fora do horário de pico de fim de tarde, tende a reduzir esse tempo de espera.

Para quem vai com crianças ou adolescentes, a mostra também funciona como introdução prática a tecnologias imersivas fora do contexto de jogos eletrônicos — uma forma de familiarizar um público mais jovem com realidade virtual e aumentada associada a conteúdo cultural e educativo, não só entretenimento. Escolas da rede pública e privada do Rio também costumam agendar visitas guiadas em exposições desse porte no CCBB, o que vale a pena verificar diretamente com a instituição para quem trabalha com educação básica ou fundamental. E para quem mora fora do Rio, vale lembrar que a itinerância do projeto por outras capitais significa que perder essa passagem específica não necessariamente significa perder a mostra por completo — vale acompanhar se ela chega a outras cidades depois da passagem carioca, e se o conjunto de obras muda de composição a cada cidade-sede ou permanece essencialmente o mesmo em toda a itinerância nacional.

O que observar daqui pra frente

Vale acompanhar se o CCBB ou o Banco do Brasil (patrocinador cultural por trás da iniciativa “Espaço Petrobras Amazônicas”) anunciam uma extensão de temporada além de 16 de novembro, algo que exposições de grande público costumam receber quando a procura supera a expectativa inicial.

Também merece atenção se alguma das 21 artistas reunidas na mostra ganha, a partir dessa exposição, uma visibilidade individual maior no circuito de arte contemporânea — museus costumam usar mostras coletivas como essa para revelar nomes que depois emplacam exposições solo em galerias e outros centros culturais.

Por fim, vale observar se essa combinação de acervo tradicional com tecnologia imersiva vira um padrão mais recorrente em outras exposições do CCBB Rio ao longo de 2026 e 2027, ou se permanece como um formato pontual desta mostra específica — e se outras capitais receberão essa mesma itinerância do “Espaço Petrobras Amazônicas” depois da passagem pelo Rio.

Vale acompanhar também se a mostra inspira programação satélite no Rio — rodas de conversa, oficinas ou sessões de cinema complementares —, movimento comum quando uma exposição de grande porte com temática regional específica ganha repercussão além do público habitual de artes visuais, atraindo também interesse de quem se aproxima primeiro pelo recorte social e ambiental do que pelo circuito de arte contemporânea em si.

Fontes: CCBB Rio de Janeiro (programação oficial); A Onça; Giro19; Informativo Cidade.

Marcelo J. Sousa
Escrito por Marcelo J. Sousa

Analista, entusiasta de tecnologia e finanças, criador do Blend do Dia. Autor de Logos: Código Sombra.

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