Até agora, quem queria emagrecer ou controlar diabetes com semaglutida — o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — não tinha opção de genérico. Isso está prestes a mudar. A Anvisa aprovou, em 17 de agosto, a primeira caneta genérica de semaglutida fabricada no Brasil, com estimativa de preço em torno de R$ 216 — uma fração dos mais de R$ 1.000 que a versão de marca custa hoje.
O que aconteceu
A Anvisa aprovou dois novos registros ligados à semaglutida: um genérico do medicamento Ozivy, da EMS, e um similar chamado Semaclique, da Germed (empresa do mesmo grupo). Todas as apresentações contêm solução injetável de semaglutida na concentração de 1,34 mg/mL, em quatro formatos diferentes (caneta única ou dupla, com 4, 6, 8 ou 10 agulhas). O registro reconhece o uso do medicamento aliado a dieta e exercício físico, para tratamento de diabetes tipo 2 e controle da obesidade, com aplicação semanal.
O detalhe técnico que explica por que isso é uma novidade real, e não apenas mais uma marca no mercado: o Ozempic e o Wegovy, da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, usam semaglutida de origem biológica — o que, por regra regulatória, impede a existência de genéricos desses produtos (só é possível registrar “biossimilares”, processo diferente e mais longo). O Ozivy, da EMS, é a primeira semaglutida sintética produzida no Brasil, e é justamente essa característica que abre caminho para o registro de genérico.
Pela regra da Anvisa, um genérico precisa custar pelo menos 35% menos que o medicamento de referência ao qual está vinculado. Como o Ozivy (a versão de marca da EMS) custa hoje cerca de R$ 333, a estimativa é que o genérico chegue a valores próximos de R$ 216. A EMS ainda não confirmou data de chegada às farmácias nem o preço final.
Por que isso importa agora
O preço é o que torna essa aprovação relevante para além do círculo médico. Hoje, o tratamento com semaglutida de marca no Brasil custa entre R$ 1.077 e R$ 2.696 por caneta, dependendo da dosagem — valores tabelados pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que define o teto que qualquer farmácia pode cobrar. Mesmo a versão em comprimido (Rybelsus) varia de R$ 385 a mais de R$ 4.400, dependendo da quantidade de comprimidos e dosagem. Um genérico na faixa de R$ 216 representa uma redução de mais de 80% em relação ao piso da versão injetável de marca — a diferença entre um tratamento mensal inacessível para a maioria da população e um que passa a caber em orçamentos bem mais modestos.
Isso muda o cálculo não só para quem já usa o medicamento por indicação médica de diabetes ou obesidade, mas para o sistema de saúde como um todo: obesidade e diabetes tipo 2 são condições crônicas de altíssimo custo a longo prazo (complicações cardiovasculares, renais, oftalmológicas), e o acesso mais barato a um tratamento eficaz tem potencial de impacto em saúde pública, não só no bolso individual.
O que isso significa
Vale separar duas coisas que a notícia mistura com frequência: genérico não é sinônimo de “menos eficaz”. Pela definição regulatória brasileira, um genérico precisa comprovar equivalência farmacêutica e bioequivalência com o medicamento de referência antes de ser aprovado — ou seja, a Anvisa já exige, como pré-requisito do registro, que ele funcione da mesma forma no organismo. A diferença de preço existe porque o genérico não paga os custos de pesquisa e desenvolvimento original, não porque é uma versão inferior.
Também vale notar que ainda não existe data confirmada de chegada às farmácias nem preço final — a Anvisa aprovou o registro, mas a EMS ainda precisa definir e comunicar o lançamento comercial. Entre a aprovação regulatória e a caneta genérica estar disponível no balcão da farmácia, historicamente esse prazo costuma levar de semanas a poucos meses, mas não há garantia de data neste caso específico.
Como isso afeta você
Se você já usa semaglutida (Ozempic, Wegovy, Ozivy ou similar) por indicação médica para diabetes tipo 2 ou obesidade, vale perguntar ao seu médico, na próxima consulta, se ele já tem informação sobre a chegada do genérico às farmácias e se a substituição é indicada para o seu caso — troca de medicamento contínuo deve sempre passar por orientação médica, mesmo quando se trata de um genérico aprovado.
Se você considera iniciar tratamento mas o preço da versão de marca sempre foi a barreira, esse é o momento de acompanhar de perto o anúncio de disponibilidade — a diferença de preço projetada é grande o suficiente para mudar a viabilidade financeira do tratamento para muita gente. E, de qualquer forma, vale lembrar: mesmo com preço mais baixo, o registro da Anvisa reforça que o uso é “aliado à dieta e aos exercícios físicos” — não como substituto isolado de mudança de hábito, mas como parte de um tratamento mais amplo, sempre com acompanhamento médico.
O que observar daqui para frente
Três sinais valem acompanhamento: primeiro, o anúncio oficial da EMS sobre data de lançamento e preço final do genérico nas farmácias — o valor de R$ 216 hoje é estimativa baseada na regra dos 35%, não confirmação da empresa. Segundo, se outros laboratórios brasileiros também vão desenvolver versões sintéticas de semaglutida a partir desse precedente, o que aumentaria a concorrência e poderia pressionar o preço ainda mais para baixo. Terceiro, se a Novo Nordisk (fabricante do Ozempic e Wegovy) reage a essa concorrência com alguma revisão de preço da versão original no mercado brasileiro — algo que já aconteceu em outros países quando genéricos de medicamentos de alta demanda chegam ao mercado.
Recomendações do Blend
Enquanto o genérico não chega às farmácias, vale considerar dispositivos de automonitoramento de saúde para uso doméstico — como balanças de bioimpedância e medidores de glicemia — para quem já está em acompanhamento de peso ou diabetes e quer dados entre uma consulta e outra.
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Fontes: CREMERJ News, NSC Total, ND Mais — tabela de preços
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