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As 10 Ações que o BTG Pactual Recomenda para Atravessar o Ciclo Eleitoral sem Levar Susto

As 10 Ações que o BTG Pactual Recomenda para Atravessar o Ciclo Eleitoral sem Levar Susto
· 6 min de leitura

Em vez de tentar adivinhar quem vence a eleição de outubro, o BTG Pactual decidiu montar uma carteira de ações que funcione nos dois cenários. O banco atualizou, em 4 de agosto, sua carteira recomendada mensal com um objetivo declarado: reduzir a dependência do resultado eleitoral e se proteger das oscilações que o mercado já vem sentindo há semanas. O resultado são 10 ações, com pesos e racional bem definidos — um estudo de caso prático de como funciona diversificação de verdade, não só a teoria do “não coloque todos os ovos na mesma cesta”.

O que aconteceu

O BTG Pactual publicou sua carteira recomendada de agosto com uma mudança clara de postura: montar um portfólio “mais equilibrado, preparado para as oscilações do ciclo eleitoral”. A carteira final tem 10 papéis: Petrobras (PETR4, 15%), Itaú Unibanco (ITUB4, 15%), Axia Energia (AXIA3, 10%), Embraer (EMBJ3, 10%), Eneva (ENEV3, 10%), Gerdau (GGBR4, 10%), Motiva (MOTV3, 10%), Copasa (CSMG3, 5%), Totvs (TOTS3, 5%) e Cury (CURY3, 10%).

O banco justifica a escolha por uma leitura específica do momento: os juros reais de longo prazo giram perto de 8%, o que reflete uma preocupação do mercado com expansão fiscal — independentemente de quem ganhar a eleição. Ou seja, a incerteza não é só “qual candidato”, é também “quanto o próximo governo, seja ele qual for, vai gastar e como vai financiar isso”.

Por que isso importa agora

A carteira do BTG não é uma aposta direcional (comprada em quem vai ganhar), é uma tentativa de proteção contra o próprio processo eleitoral — o período de maior incerteza e volatilidade, que o mercado já vem precificando desde julho. Isso fica claro na composição: 60% da carteira está em setores historicamente mais defensivos (utilities, infraestrutura, financeiro e construção civil), e 35% está em posições com exposição cambial relevante — ações que se beneficiam se o dólar continuar subindo, funcionando como um hedge natural dentro da própria carteira de ações.

O exemplo mais didático é a Gerdau: aproximadamente 75% do lucro da empresa vem da operação nos Estados Unidos, com margens historicamente mais fortes por lá. Isso significa que, mesmo que o cenário brasileiro piore, uma fatia relevante do resultado da empresa não depende diretamente da economia doméstica — e a exposição ao dólar funciona como proteção cambial num cenário eleitoral incerto.

Já a Copasa entra por um motivo diferente: depois da conclusão do processo de privatização, com a Equatorial assumindo papel relevante na companhia, o BTG enxerga “uma história de dividendos atrativos em breve” — uma aposta em reestruturação, não em ciclo eleitoral.

O que isso significa

O ponto central aqui não é “compre essas 10 ações porque o BTG mandou” — é entender a lógica por trás da escolha, que você pode aplicar à sua própria carteira mesmo sem replicar exatamente os mesmos papéis. Três princípios de investimento saudável aparecem nessa carteira:

Primeiro, diversificação setorial de verdade — não é só ter “várias ações”, é ter ações que reagem de formas diferentes ao mesmo evento (uma eleição, uma alta de juros, uma desvalorização cambial). Segundo, pensar em cenários, não em previsões — a carteira foi montada para funcionar tanto se o cenário fiscal melhorar quanto se ele continuar sob pressão, em vez de apostar em um resultado específico. Terceiro, olhar para a fonte da receita de cada empresa, não só para o nome dela — o caso da Gerdau mostra que uma “ação brasileira” pode ter a maior parte do resultado vindo de fora do Brasil, o que muda completamente seu comportamento em cenários de estresse doméstico.

Como isso afeta você

Você não precisa ter conta no BTG nem replicar a carteira exata para aproveitar essa lógica. Antes de outubro, vale revisar sua própria carteira com três perguntas simples: quanto do que você tem depende diretamente do humor político-eleitoral brasileiro? Existe alguma proteção cambial na sua carteira (ações com receita em dólar, fundos internacionais, BDRs) ou tudo está 100% exposto ao real? E, das ações que você tem hoje, quantas você entende de verdade o motivo de ter — versus quantas comprou só porque “estavam em alta”?

Se a resposta para a segunda pergunta for “nada de proteção cambial”, isso não significa correr para comprar dólar ou vender tudo — significa que vale considerar, com calma e dentro do seu perfil de risco, aumentar a diversificação internacional da carteira ao longo dos próximos meses, em vez de fazer isso de forma reativa se a volatilidade aumentar mais perto da eleição.

O que observar daqui para frente

O período mais sensível deve ser a partir de setembro, quando o calendário eleitoral se intensifica — definição de candidaturas, pesquisas, debates. Vale acompanhar se o BTG e outras casas de research mantêm essa postura defensiva nas carteiras recomendadas dos próximos meses, ou se começam a girar para uma aposta mais direcional à medida que o cenário eleitoral ganha contornos mais claros. Também vale observar o comportamento específico da Gerdau e de outras exportadoras como termômetro: se elas continuarem performando melhor que ações 100% domésticas, é um sinal de que o mercado segue precificando a incerteza fiscal-eleitoral como o principal risco do momento.


Recomendações do Blend

Para quem quer entender melhor como montar uma carteira diversificada antes de replicar recomendações de bancos, vale considerar cursos ou plataformas de educação financeira focados em análise fundamentalista e alocação de ativos.

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Aviso: este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem considerar seu perfil, objetivos e, quando necessário, orientação de um profissional certificado.

Fontes: Money Times

Marcelo J. Sousa
Escrito por Marcelo J. Sousa

Analista, entusiasta de tecnologia e finanças, criador do Blend do Dia. Autor de Logos: Código Sombra.

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