Um relatório divulgado em 3 de agosto pela Evident, plataforma que mede a maturidade de bancos em inteligência artificial, colocou Nubank e Itaú Unibanco numa posição que nenhum outro banco da América Latina chega perto: líderes isolados. O Goldman Sachs, que usa o ranking como parte da análise, recomenda compra para as ações das duas instituições — e a razão apontada pro relatório para essa distância é mais estrutural do que parece à primeira vista.
O que exatamente diz o relatório
A metodologia da Evident dá peso de 45% para talento especializado, 30% para inovação, 15% para liderança e 10% para transparência. Segundo o levantamento, o que separa Nubank e Itaú do resto não é o tamanho do orçamento de tecnologia — é a concentração de profissionais dedicados especificamente a IA, a infraestrutura digital já madura, e o acesso mais fácil a talento local nesse campo. O relatório descreve o Nubank como um banco “nativo em inteligência artificial”, que incorpora a tecnologia em praticamente toda área da operação, enquanto os bancos tradicionais ainda adaptam sistemas legados — construídos antes da IA generativa existir — para acomodar as novas ferramentas.
Por que a vantagem tende a crescer, não diminuir
O ponto mais importante do relatório para quem investe é o mecanismo por trás da distância: um ciclo de retroalimentação. Ganhos de produtividade trazidos pela IA permitem contratar mais especialistas e investir em ferramentas mais avançadas, o que gera mais ganho de produtividade, o que permite investir ainda mais. É o tipo de vantagem que se acumula sozinha, sem precisar de um novo esforço a cada rodada — ao contrário de uma vantagem pontual, tipo um produto de sucesso que a concorrência consegue copiar em poucos meses.
O que isso significa pra quem investe
A recomendação de compra do Goldman Sachs para as duas ações reflete essa leitura: a aposta não é só no resultado do próximo trimestre, é na ideia de que a distância competitiva em IA vai continuar abrindo. Isso não significa que a vantagem seja permanente — o próprio relatório pondera que o cenário pode mudar se os bancos tradicionais decidirem investir pesado e de forma consistente em mudança cultural e de talento, não só em tecnologia comprada de terceiros. Mas hoje, segundo o levantamento, essa mudança ainda não aconteceu na escala necessária pra fechar o buraco.
Como isso afeta você
Se você é cliente do Nubank ou do Itaú, a vantagem em IA já aparece em coisas como detecção de fraude mais rápida, ofertas mais personalizadas e atendimento automatizado mais eficiente — o tipo de diferença que não vem estampada em propaganda, mas se sente no uso do dia a dia. Se você é investidor e tem ações de bancos tradicionais na carteira, o relatório é um sinal pra acompanhar de perto os próximos balanços: o gap de IA que hoje é discutido em relatório de research pode, com o tempo, aparecer direto no resultado financeiro.
O que observar daqui pra frente
Vale acompanhar os próximos balanços de Bradesco, Santander e Banco do Brasil em busca de sinais de que estão fechando a distância em IA — investimento anunciado, contratação de especialistas, parcerias com empresas de tecnologia. Também vale ficar de olho em atualizações futuras do ranking da Evident, que deve voltar a medir esse mesmo grupo de bancos nos próximos trimestres.
Atualizado em 9 de agosto de 2026. Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros; consulte um profissional certificado antes de tomar decisões financeiras.
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