Se você estava de olho em um MacBook novo ou pensando em trocar o iPad, a notícia não é das melhores: a Apple está reajustando os preços de vários produtos em diferentes mercados. A causa não está dentro da empresa — está numa disputa global que envolve chips de memória, data centers de inteligência artificial e uma cadeia de fornecimento que simplesmente não consegue acompanhar a demanda.
O Que Está Por Trás do Reajuste
Os chips de memória do tipo HBM (High Bandwidth Memory) e LPDDR5X — usados tanto em produtos Apple quanto nos servidores que rodam os grandes modelos de linguagem — registraram alta expressiva de preço no primeiro semestre de 2026.
Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão priorizando a produção para os grandes clientes de data center. Microsoft, Google, Meta e Amazon estão investindo centenas de bilhões de dólares em infraestrutura de IA — e cada servidor precisa de quantidades enormes de memória de alto desempenho. Com a demanda industrial explodindo, sobra menos chip para o mercado de consumo. E quando a oferta cai e a demanda sobe, o preço vai junto.
Quais Produtos São Afetados
Os maiores impactos estão nos modelos com mais memória e capacidade de processamento:
- MacBook Pro com chips M4 Pro e M4 Max — os modelos com 24GB+ de memória unificada sentiram o reajuste mais forte
- MacBook Air — aumento menor, mas presente nas versões com 16GB ou mais
- iPad Pro — o modelo top de linha da Apple, que usa chip M4 e memória de alta performance, também entrou no reajuste
No Brasil, o impacto chega amplificado: além da alta global nos chips, ainda tem as alíquotas de importação e a variação do câmbio. Um produto que já não era barato ficou mais caro ainda.
O Tamanho da Corrida pela IA
Estimativas do setor apontam que os gastos globais com infraestrutura de inteligência artificial devem superar US$ 300 bilhões em 2026 — um número sem precedente histórico. A TSMC, principal fabricante de chips avançados do mundo, opera com capacidade máxima. Mas construir uma nova fábrica de semicondutores leva entre 3 e 5 anos. O gargalo não vai se resolver rapidamente — analistas preveem que a pressão sobre preços de memória persista pelo menos até 2027.
Quem compra um notebook ou tablet hoje está pagando, em parte, pela aposta das grandes empresas de tecnologia num futuro de IA.
O Que Fazer se Você Precisa Comprar
- Prefira as configurações base — os modelos com menos RAM sofrem reajuste menor. Um MacBook Air de 8GB continua sendo uma máquina excelente para uso cotidiano
- Avalie programas de renovação — a Apple e algumas revendas oferecem troca de aparelhos usados com desconto na compra do novo
- Considere alternativas no ecossistema Windows — chips Intel Core Ultra e AMD Ryzen AI também sofreram reajustes, mas em menor escala
Se puder esperar, vale acompanhar o cenário. A pressão sobre os chips de memória tende a aliviar conforme novas capacidades produtivas entram em operação — e os preços costumam refletir isso com alguns meses de defasagem.
A tecnologia avança a passos largos. O bolso, nem sempre consegue acompanhar o mesmo ritmo.