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Copa do Mundo 2026: a mais cara da história — e 54% dos brasileiros não querem nem assistir

Copa do Mundo 2026: a mais cara da história — e 54% dos brasileiros não querem nem assistir
· 3 min de leitura

A Copa do Mundo de 2026 será a maior da história do futebol. Com 48 seleções (contra as 32 das edições anteriores), disputando jogos em 16 cidades de três países — Estados Unidos, Canadá e México — o torneio promete bater todos os recordes de audiência e faturamento. A FIFA projeta receitas de 11 bilhões de dólares, quase o dobro da Copa do Qatar em 2022.

Mas uma pesquisa divulgada em abril de 2026 pelo Instituto Datafolha revelou um dado que surpreende: 54% dos brasileiros afirmam que não pretendem assistir à Copa do Mundo de 2026. Em um país que se define pelo futebol, esse número é um choque cultural — e merece ser entendido.

Por que os brasileiros estão desinteressados?

A pesquisa do Datafolha aponta múltiplos fatores. O principal, citado por 41% dos entrevistados, é a decepção com o desempenho da seleção nos últimos anos. A eliminação nas quartas de final da Copa do Qatar para a Croácia, seguida de resultados irregulares nas Eliminatórias Sul-Americanas, esfriou o entusiasmo de uma parcela significativa da torcida.

O segundo fator, mencionado por 33%, é o custo de vida elevado. Com a inflação pressionando o orçamento familiar, muitos brasileiros dizem que não têm condições de gastar com decoração, festas e produtos temáticos — os rituais que sempre acompanharam as Copas no Brasil.

Há também um fator geracional. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o desinteresse é ainda maior: 62% dizem que não vão acompanhar o torneio. Para essa geração, o futebol compete com outros conteúdos — streamings, games, esportes eletrônicos — e a seleção brasileira não tem o mesmo apelo emocional que tinha para seus pais.

A Copa mais cara da história

Do lado financeiro, a Copa de 2026 é um evento de escala sem precedentes. Os Estados Unidos investiram mais de 2 bilhões de dólares em infraestrutura para o torneio. Os ingressos para as fases finais chegam a custar 5 mil dólares no mercado secundário. Para um brasileiro viajar para assistir à seleção nos EUA, o custo estimado por pessoa é de R$ 25 mil a R$ 40 mil, considerando passagem, hospedagem e ingressos.

Esse distanciamento geográfico e financeiro também explica parte do desinteresse. Nas Copas disputadas no Brasil (2014) e em países próximos, havia uma sensação de pertencimento. Desta vez, o torneio acontece longe — literalmente e simbolicamente.

O que ainda pode mudar?

A história mostra que o futebol brasileiro tem uma capacidade surpreendente de reconquistar corações. Se a seleção começar bem o torneio — especialmente se Vinicius Jr. e Rodrygo estiverem em boa fase — a adesão popular pode crescer rapidamente. As Copas têm um efeito de contágio emocional que nenhuma pesquisa consegue prever completamente.

Por ora, o Brasil de 2026 parece dividido entre a tradição de um país que parou para ver a Copa e uma nova realidade onde o futebol precisa conquistar espaço em uma agenda de lazer cada vez mais disputada.

Fontes

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