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Cultura

Geração Z e o retrocesso: por que 31% dos jovens homens defendem a submissão feminina

Geração Z e o retrocesso: por que 31% dos jovens homens defendem a submissão feminina
· 4 min de leitura

A Geração Z deveria ser a mais progressista da história. Cresceu com a internet, com o movimento #MeToo, com a discussão sobre diversidade e inclusão como pauta central da cultura pop. E, no entanto, uma pesquisa global divulgada esta semana pela Ipsos revela algo que contradiz essa expectativa: 31% dos homens jovens da Geração Z acreditam que a esposa deve ser submissa ao marido. E 57% acham que a busca por igualdade de gênero está prejudicando os homens.

Os números são maiores do que os das gerações anteriores — incluindo os baby boomers. O que está acontecendo?

Os dados que ninguém esperava

A pesquisa da Ipsos, realizada em parceria com o King’s College de Londres, ouviu jovens em dezenas de países, incluindo o Brasil. Os resultados para os homens da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) foram surpreendentes:

Os pesquisadores ressaltam que esses dados não significam que toda a Geração Z seja mais conservadora — mas indicam uma tendência observada em parte dos jovens homens que merece atenção.

Por que isso está acontecendo

A explicação não é simples, e reduzir tudo a “machismo” seria perder a complexidade do fenômeno. Pesquisadores identificam pelo menos três fatores convergentes:

1. O algoritmo da manosfera

Influenciadores como Andrew Tate e outros criadores de conteúdo da chamada “manosfera” — um ecossistema online de masculinidade radical — alcançam milhões de jovens no YouTube, TikTok e Instagram. O algoritmo favorece conteúdo que gera engajamento emocional, e mensagens de ressentimento e identidade masculina ameaçada são altamente eficazes nesse sentido.

2. A ausência de modelos masculinos positivos

Muitos jovens cresceram sem referências claras do que significa ser homem em uma sociedade que mudou rapidamente. A discussão sobre masculinidade saudável chegou tarde — e o vácuo foi preenchido por vozes extremas.

3. A percepção de desvantagem

Em um mercado de trabalho competitivo, com políticas de cotas e discussões sobre privilégio, alguns jovens homens — especialmente os de classes médias e baixas — sentem que estão em desvantagem. Esse sentimento, mesmo quando não corresponde à realidade estatística, é real e precisa ser endereçado.

O que os dados realmente dizem sobre igualdade

É importante contextualizar: apesar do retrocesso entre jovens homens, as mulheres da Geração Z são consistentemente mais progressistas do que qualquer geração anterior. Isso cria uma divisão de gênero crescente dentro da própria geração — com homens e mulheres jovens se afastando em termos de valores e perspectivas políticas.

No Brasil, a pesquisa do Instituto Patrícia Galvão mostra que 1 em cada 4 mulheres jovens já sofreu alguma forma de violência de gênero. A distância entre a percepção masculina (“a igualdade já foi longe demais”) e a realidade feminina (“ainda não chegamos lá”) é um dos maiores desafios culturais do nosso tempo.

O que isso muda na sua vida

Independentemente de onde você se posiciona nesse debate, os dados importam. Para pais e educadores: a conversa sobre masculinidade saudável precisa acontecer antes que o algoritmo faça isso por você. Para quem trabalha em empresas: a divisão de valores entre gerações vai aparecer nas equipes, nas lideranças e nas políticas de RH. Para todos: entender por que uma geração que cresceu com mais informação está, em alguns aspectos, regredindo é essencial para construir pontes em vez de muros.

A Geração Z não é monolítica. Ela é contraditória — como toda geração. O que fazemos com essa contradição é o que vai definir o próximo capítulo.


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